terça-feira, 13 de junho de 2017

Que diferença faz?!

Nanoconto




No saguão do banco.
— Eles estão sempre me roubando —disse o homem na fila do banco.
— E quem está te roubando? —perguntou a mulher logo à sua frente.
— Ora! Os políticos, claro. Estão sempre metendo as mãos nos meus bolsos.
— Mas eles roubam todo mundo, todos nós —retorquiu a mulher.
— E que diferença isso faz?!

domingo, 4 de junho de 2017

O palhaço da política

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Barbara Maria Vallarino Gancia, 59, é jornalista. Foi colunista da "Folha de S.Paulo" até 2016, apresentadora do programa "Saia Justa", da GNT. Filha de Piero Gancia, ex-piloto de corrida de automóveis e primeiro campeão brasileiro de automobilismo. Faz uns dias, em seu perfil no Facebook, a sra. Gancia resolveu trolar a indignação seletiva dos sectários do senador interrompido Aécio Neves e daquilo que ela chama de antipetismo em geral. Num copioso rol de treze pontos, analisa posturas de quem apoiou o impeachment da presidente interrompida Dilma Rousseff, mas que, segundo ela, nunca foi contra a corrupção.

Para Bárbara Gancia os eleitores do dr. Neves comportam-se como salafrários: I) "Não sou nem de esquerda, nem de direita, sou pelo Brasil!" —é de direita; II) "Não tenho partido, meu partido é o Brasil!" —vota no PSDB; II) "Quero que a corrupção seja combatida no PT, PSDB ou PQP!" —quer que a corrupção seja combatida apenas no PT. No perfil pessoal, só tem publicações contra o PT. Contra o PSDB ou PQP, nada; "IIII) Não sou coxinha nem petralha, sou brasileiro!" —é coxinha; "Quero meu país livre da corrupção!" —vota em Alckmin há 15 anos; VI) "PT gosta de sustentar vagabundo!"—perdeu a escrava doméstica e tá tendo que lavar os pratos; VII) "PT dá casa pra vagabundo!" —é proprietário de várias casas para alugar e estão encalhadas; VII) "Estou indignado com tanta corrupção!" —segurou o cartaz 'Somos milhões de Cunhas'; IX) "Nenhum político presta!" —é analfabeto político; X) "Tempos bons eram os de FHC!" —é patrão e não paga direitos trabalhistas nem tira nota fiscal; XI "Não sou de direita, mas tem que tirar essa vagabunda do poder!" —votou em Aécio e está com o avatar de Bolsonaro na foto do perfil; XII) "O PT não ensina a pescar e ainda rouba os rios e o anzol!" —é fã de Lobão, assina a Veja, assiste e ri com Danilo Gentili, e publica 'pensamentos' de Arnaldo Jabor; XIII) Não bato panelas contra partido A ou B, mas contra a corrupção!" —tem que bater uma panela de pressão na própria cabeça.

Não é difícil tomar tento de que o texto é eivado de sectarismo, preconceito e intolerância lulopetistas. Resumindo, dona Bárbara tenta demonstrar que quem é contra o ex-presidente Lula da Silva e seu Partido dos Trabalhadores (PT), que ora no catecismo da pseudo-esquerda, é da extrema-direita empedernida e a favor da corrupção. Pra ela, ser de direita é ser a favor da corrupção; como se houvessem corruptos de esquerda.

É bem provável que, entre a esquerda e a direita, melhor ficar com a esquerda. Esta prega um modo mais generoso de vida, de defesa dos fracos contra os empoderados ­—não há, porém, anjos em nenhum dos lados. Mas os seguidores da sinistra (vocábulo aqui usado como sinônimo de esquerda) têm uma deficiência estúpida: o exercício de julgar o outro por suas ideias. Para os lulopetistas e esquerdistas de modo geral, quem não reza pelo seu breviário é um ser ignominioso. Ideias e ideologias têm importância extrema. Mas não é apenas isso. Existem canalhas desabotinados que são esquerdistas de alto coturno. O que torna um indivíduo melhor não são apenas suas ideias; mas seus sentimentos e seu comportamento, sobretudo a forma com que trata seus semelhantes.

Desde meados da década de 1990, Pindorama é governada por um partido dito de esquerda, PSDB e PT um após o outro —este último curiosamente com um nome e conceito semelhantes aos do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido internacionalmente como Partido Nazista. Muita gente, porém, criou a mistificação de que o PT é o antônimo da ditadura militar (1964/1985). Não é.

Os dois, PT e ditadura, buscaram reduzir as diferenças sociais através de programas e projeto, não com mudanças de sistema. Ambos, PT e ditadura, foram desenvolvimentistas, através de programas de redistribuição de renda. No governo militar, a mídia foi censurada. O PT buscou a censura através de um hipócrita "controle social da mídia". O PT e a ditadura de 1964 foram são estatizantes, os dois apostaram na indústria automobilística como pilar de desenvolvimento e tiveram seus empresários-modelo, em ambos os casos financiados pelo BNDES.

Lula da Silva aproveitou o bom momento econômico internacional e fez o Brasil crescer até 7 ,5% num ano. Semelhante a Emílio Médici, um general-presidente, levou o país a 10%. Depois de Médici, assim como depois de Silva, a economia virou. Seus sucessores, Ernesto Geisel e Dilma Rousseff, tiveram de enfrentar momentos delicados e um país em princípio de ruptura social. Sarney e Maluf, velhos próceres da Arena/PDS, o partido da ditadura, foram eleitores entusiasmados do PT —embora Maluf, agora condenado, reclamasse que o PT estava à sua direita. E por aí vai...

Esquerda e direita no Brasil são gêmeas univitelinas. Mas nem a esquerda nem a direita aproveitaram seus bons momentos para fazer reformas estruturais. E o Brasil mais degenerado torna-se como nação. Nas gestditadura e nas gestão do PT, o país melhorou para milhões de indivíduos; piorou como nação. Foram medidas paliativas, não curativas. Não mal-intencionadas, mas com vontade de realizar o melhor, mas que deram em nada por falta de vontade política.

Madame Gancia demonstra sobeja e claramente a filosofia política do lulopetismo —disseminada por toda a esquerda brasileira— de não admitir inteligência, cidadania, decência fora do PT. A nação seria muito mais justa e decente se todos compreendessem que tanto à destra quanto à sinistra há quem queira que no Brasil todos —absolutamente todos— tenham iguais direitos e obrigações. Ou seja, todos tenham o favor da cidadania e da justiça.

Atual momento político do Brasil demonstra que há ratos que decididamente decidiram-se por não abandonar o navio, mesmo que este esteja naufragando. Imaginam poder encontrar um tesouro submerso. A estupidificação humana é o momento em que se convence de que a concentração de poder tem unicamente por fim à manipulação dos cidadãos, pela necessidade de uma pretensa ordem social de que o ser humano necessita. Não fosse assim, ainda hoje os humanos seriam neandertais dormindo na areia em cavernas. Quem não chegou a esta fronteira de pré-loucura jamais identificará a manipulação diária de que é alvo. E quem sabe manipular a sociedade cria o fanatismo.

É horrível observar que as mesmas pessoas que criticam os outros sem o menor pudor, sem resquícios de constrangimento, são essas as mesmas pessoas que não filtram suas palavras, e que são as mais sensíveis quando recebem críticas. É o ser que despeja no outro aquilo que não suporta que seja despejado em si próprio. O excesso de crítica é o modo mais eficaz de exterminar qualquer relacionamento.

Barbara Gancia é uma defensora sectária das chamadas esquerdas. E escreveu sua lista como uma fanática. Pelo seu texto deduz-se que nunca se deve discutir com um fanático, até porque eles não são de compreender e aprofundar os argumentos de uma discussão. Pior, os fanáticos não compreendem que em qualquer altercação há outras alternativas. Despropositado, o fanatismo impede o indivíduo de ser racional.

Os fanáticos agem instintivamente, são cegos e não percebem a realidade. Não aceitam o contraditório, e diante do conflito reagem com estupidez quando são confrontados. O fanático adora os seres que consideram superiores, sejam guias, líderes, mistagogos, condutores, mentores, mestres, santos, deuses. Por isso, é quase impossível encontrar um fanático confesso —fanáticos nunca admitem seu próprio fanatismo. O fanático é o palhaço da política...

Friedrich Nietzsche observou que "homens convictos são prisioneiros." Tem um bocado de gente convicta vivendo em prisões virtuais —são prisioneiros de suas próprias mentes, trancafiadas pelas limitações impostas por si mesmas, vivendo com a miséria, a ignorância, a ruína. São, não por burrice ou ignorância, mas por memória congênita, prisioneiros do julgamento dos seus semelhantes. Temem outras alternativas que não sejam as já analisadas, testadas e comprovadas. Os criativos constroem caminhos, dão origem a opções, proclamam a própria independência, enquanto os outros vêm atrás disputando o troféu de melhores ou piores em reprodução.


Luca Maribondo
Campo Grande | MS | Brasil




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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sobre a utilidade da corrupção

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No 146º dia deste ano as pessoas sentiram surpresas com a defesa do ex-governador André Puccinelli, feita por grande número de pessoas nas redes socais, inclusive jornalistas. Alguns textos são rigorosamente apaixonados, como que redigido por áulicos. Como se sabe, o médico e ex-governador foi detido há alguns dias pelas autoridades policiais sob a acusação de corrupção.

Cognominado Coronel da Toscana, por conta da região italiana em que nasceu e do seu estilo capo de governar, Puccinelli obviamente afirma que tudo é mentira dos seus muitos desafetos. Seu antecessor Zeca do PT, eg, afirma —em artigo publicado em fevereiro/15— que “até o momento, três ‘legados’ de André Puccinelli consumiram quase R$ 450 milhões: a verdadeira farra da publicidade (R$ 130 milhões), o faraônico Aquário do Pantanal (R$ 240 milhões) e o desfalque dos consignados (R$ 50 milhões). Para que tenhamos uma noção da magnitude desses valores, o mesmo corresponde a um mês de toda a arrecadação estadual de ICMS”.

Parece não haver provas de que o dr. Puccinelli é corrupto de fato, mas o sr. Zeca do PT afirma, como se leu acima, que sim. O petista, porém, lamenta a decisão da Justiça de colocar uma tornozeleira eletrônica no peemedebista, dispositivo usado comumente por prisioneiros que cumprem prisão domiciliar ou que estão no regime semi-aberto. “Não tenho razão —diz Zeca— para comemorar esse tipo de coisa. Eu faço luta política, não pessoal”*. Apesar do dispositivo no doutor,
Zeca ainda acha que ele é candidato forte para as eleições de 2018 —e o comparou, em prestígio, à figura do ex-presidente Lula da Silva.

É possível que muitos dos que defendem o ex-governador e outros políticos sejam favoráveis à corrupção, principalmente aqueles que apoiam o preceito do “rouba mas faz”. Isso pode parecer absurdo, mas há muita gente que aprova a corrupção sem ressalvas. Há inclusive analistas políticos sustentam que a corrupção pode desempenhar um papel útil nos países em desenvolvimento. Parece cínico —e é—, mas é real.

Este argumento possui um cinismo latente valor de choque que se iguala ao de que o nível ótimo da corrupção não é zero. Mais: não se trata apenas de que combater a corrupção pode ser tão caro a ponto de não valer a pena, mas que a corrupção propriamente dita pode criar benefícios econômicos, políticos ou administrativos.

Em seu livro “A Corrupção Sob Controle”, o economista norte-americano Robert Klitgaard, um especialista internacional em corrupção, demonstra que é possível mostrar três categorias de argumentos no sentido da corrupção poder, ocasionalmente, ser benéfica do ponto de vista social. Pode-se imaginar um argumento do economista, argumento do cientista político e argumento do gestor.

Eis o argumento do economista: os pagamentos por corrupção introduzem um tipo de mecanismo de mercado. Em um sistema em que bens e serviços são alocados por filas, política, seleção aleatória ou "mérito", a corrupção pode, em vez disso, alocar os bens segundo a disposição e a capacidade de pagar. A corrupção, por conseguinte, pode colocar bens e serviços nas mãos das pessoas que mais os valorizam, que os podem usar de modo mais eficaz. Em certo sentido, portanto, depois do ato de corrupção esses bens e serviços são distribuídos de modo mais "eficiente" na acepção econômica.

O professor de economia comercial Nathaniel Leff assim resume essa questão: “a corrupção pode introduzir um elemento de competição no que, do contrário, seria um negócio comodamente monopolista (...). Ao mesmo tempo a propensão para o investimento e a inovação econômica pode ser maior fora do governo do que dentro dele (...). Como o pagamento dos mais altos subornos é um dos principais critérios de alocação, a capacidade de aumentar a receita, seja tirando das reservas ou das operações correntes, é incentivada. A longo prazo, ambas as fontes dependem fortemente da eficiência na produção. Daí uma tendência para que a concorrência e a eficiência sejam traduzidas no sistema.

 A fala do economista tem dois aspectos. Primeiro, uma predição: as forças do mercado são difíceis de evitar. Quando o mercado não está acostumado a distribuir bens e serviços, a corrupção se insinuará em uma espécie de mercado ilícito paralelo. Em segundo lugar, uma avaliação: quando ocorre a corrupção, esta pode conduzir a uma alocação de bens segundo a disposição e a capacidade de pagar. Essa evolução, por sua vez, pode ser economicamente eficiente —talvez, portanto, socialmente útil.

Já o argumento do cientista político tem este sentido: pagamentos, nomeações e políticas motivadas pela corrupção podem trazer benefícios políticos. Os políticos podem utilizar a corrupção para favorecer a integração de várias comunidades, tribos, estamentos, regiões ou partidos, o que, por sua vez, pode levar à harmonia política em face da fragmentação da autoridade, da desunião e da hostilidade. Analiticamente, pode-se classificar certos gêneros de corrupção ao lado de acordos do tipo “ajuda teu irmão que ele te ajudará ou é dando que se recebe” e quotas preferenciais para diferentes regiões, grupos étnicos ou partidos. Embora tais artifícios em geral distribuam benefícios públicos de formas que, estritamente falando, se opõem à alocação por "mérito " ou "beneficio social máximo", elas podem acarretar benefícios políticos. Bem diferentes dos evidentes benefícios para o político politicamente corrupto, pois a sociedade como um todo pode ficar “melhor" devido à corrupção.

Cientistas políticos às vezes citam a experiência dos Estados Unidos, onde a corrupção auxiliou as "máquinas políticas" das cidades a fornecerem não apenas o voto, mas também os serviços públicos, e onde essa corrupção foi afinal suplantada pelo "bom governo". O surto de corrupção nos países em desenvolvimento, hipoteticamente, pode ter benefícios semelhantes e um prognóstico analogamente benigno. A corrupção por vezes é encarada como um mecanismo de "participação política” e influencia, particularmente minorias étnicas e empresas estrangeiras: "na maior parte dos países subdesenvolvidos, os grupos de interesse são fracos e os partidos políticos raramente permitem a participação de elementos alheios às facções rivais.

Em consequência, o suborno pode ser a única instituição que permite a outros interesses conseguir articular e ter representação no processo político. Daí, a despeito dos aparentes custos sociais, a corrupção poder trazer importantes benefícios políticos.

Finalmente, o argumento do gestor: a corrupção pode ter utilidades dentro de uma organização. Se as regras burocráticas a estão constrangendo, a organização pode às vezes beneficiar-se do desdobramento corrupto das regras pelos empregados. Uma dose limitada de roubos, desfalques, falsos relatórios de gastos, devoluções, "taxas de urgência”, e assim por diante, pode ser tacitamente admitida pela administração superior, pois controlar essas atividades ilícitas podem ser, a longo prazo, um sucedâneo para salários mais elevados. Um fundo tipo "caixinha" talvez funcione em uma organização como um fundo de despesas eventuais que a administração superior possa alocar, de modo flexível, mas ilícito, para favorecer os objetivos da própria organização.

Esses três "argumentos" têm alguns aspectos em comum. Primeiro, referem-se aos benefícios decorrentes de determinados atos de corrupção, não da corrupção sistemática embutida em muitas ou na maioria das decisões. Em segundo lugar, os supostos benefícios dependem da hipótese de que a corrupção transgride uma orientação econômica errada ou ineficiente, supera as limitações de um sistema político imperfeito ou contorna as deficiências das regras organizacionais. Em suma, se o sistema vigente é ruim, então a corrupção pode ser benéfica. Nossa equação anterior entre o interesse do outorgante e o interesse público pode ser, infelizmente, demasiadamente otimista.

Segundo o já mencionado Leff assinalou, “a crítica da corrupção burocrática muitas vezes parece ter em vista uma situação em que o governo e a administração pública estão trabalhando ativa e inteligentemente para promover o desenvolvimento econômico, só para serem frustrados pelos esforços dos concussionários. Uma vez que se discuta a validade dessa interpretação, os efeitos da corrupção também têm ser reavaliados. Tal é o caso quando o governo consiste em uma elite tradicional indiferente, senão hostil, ao desenvolvimento, ou em um grupo revolucionário de intelectuais e políticos primordialmente interessados em seus próprios objetivos.

Nas palavras do cientista político Samuel Huntington: "Em função do crescimento econômico, a única coisa pior que uma sociedade com uma burocracia rígida, ultracentralizada e desonesta é aquela com uma burocracia rígida, ultracentralizada e honesta.

Evidentemente, as políticas e normas contornadas pela corrupção nem sempre são míopes e extraviadas. A interferência e os controles econômicos deplorados pelos economistas podem ser implementados por motivos de eficiência econômica. Os governos com frequência (embora nem sempre) intervêm na economia exatamente em circunstâncias em que os mercados não são confiáveis para distribuir bens e serviços devido a exterioridades, indivisibilidades, bens coletivos e outras falhas do mercado.

Em casos assim, a corrupção talvez simplesmente reintroduza as deficiências do mercado, prejudicando a economia. Conclusão análoga aplica-se à transgressão corrupta de mecanismos políticos ou normas organizacionais aceitas. O resultado pode ser nocivo à estabilidade e à integração políticas, bem como à eficiência da organização.

A corrupção pode ajudar por um lado e prejudicar por outros. Contornar regras públicas por meio da corrupção, por exemplo, pode conduzir a um tipo de eficiência econômica, mas à custa dos outros objetivos visados pelas regras em primeiro lugar. Afirmações genéricas sobre a utilidade ou nocividade da "corrupção" não ajudam a avaliar os efeitos de casos particulares com os quais se possa deparar. Por outro lado, dado o predomínio, na cúpula política do Brasil, de apologistas da corrupção, talvez seja melhor assumir que o país é um cleptocracia empedernida. Ou uma pulhocracia desvairada.

(*) https://goo.gl/M9NrMd



Luca Maribondo

Campo Grande | MS Brasil